A gente do design brasileiro

Ano passado, decidi visitar a Art Basel Miami. Veterana no circuito de Milão e já tendo feito dobradinha na NeoCon, em Chicago, é sempre um refresh conhecer novos eventos internacionais. Mas desta vez foi diferente. Não só por conta da minha estreia na Semana de Design de Nova York, mais especificamente a ICFF – International Contemporary Furniture Fair, mas por carregar na minha bagagem uma grande responsabilidade para com o design brasileiro. Viajamos para a Big Apple representando nada menos de 13 estúdos nacionais e um estande institucional em prol da indústria de curtume do Brasil, todos encabeçados pelo Projeto Raiz, uma iniciativa da Apex-Brasil e Sindmóveis. Foi muito interessante a experiência de dividir esses dias de feira em solos estrangeiros com tanta gente que admiro. Muitas vezes minha vontade era abraçar todos e gritar para a gringalhada toda ouvir: “que orgulho, turma; só por estarem aqui na cara e na coragem já são uns vencedores”.

E eu, curiosa e comunicóloga que sou, tive a oportunidade de ouvir um pouco sobre a experiência de cada um deles para fazer o meu texto de divulgação pós-feira. Uma oportunidade única, já que pude ter um termômetro direto da fonte sobre as perspectivas e expectativas em relação ao futuro deles na Terra do Tio Sam. Cada qual com sua própria estratégia e objetivo, um evento como este é sempre um aprendizado. A humildade em saber que pisamos em solos novos e que, por isso, precisamos nos adaptar se quisermos vender para os gringos. A sinceridade em admitir que foi preciso errar muito para chegar até aqui com algum sucesso. E a determinação em continuar seguindo com consistência e persistência. Mais do que qualquer informação sobre resultados ou estratégias comerciais, estas foram as mensagens que captei nas entrelinhas. E isso, meu amigo, me dá ainda mais orgulho de ter participado não só desta feira, mas da experiência e da oportunidade em aprender com gente como a gente.

Patricia Buarque

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