A bolha e a assessoria de imprensa

Quando comecei minha carreira de assessora de imprensa, em 1997, não éramos os queridinhos dos jornalistas. Muitos acreditavam que estávamos lá apenas para atrapalhar seu trabalho. Não nos percebiam como uma força amiga, que poderia facilitar a sua vida no agendamento de entrevistas com fontes concorridas ou com ideias realmente boas para suas pautas. Foram anos difíceis, principalmente porque, como carioca que sou, meu <em>début</em> foi por aquelas bandas, onde os veículos são mais escassos – e olha que naquela época ainda tinha o Jornal do Brasil e as sucursais das revistas nacionais. Com o tempo, os jornalistas passaram a nos enxergar como possíveis colegas. Depois, veio a bolha da internet, em 1999 / 2000. E foi a partir daí que a coisa mudou de figura. Na prática, por aqui, sentimos esta crise com a saída de grandes jornalistas de veículos renomados trocando suas carreiras estáveis graças às promessas de salários milionários – e irreais – em novos portais. Paralelamente, abria o Valor Econômico, o que acirrava ainda mais a disputa. Muito pouco tempo depois a euforia acabou e a realidade veio à tona. O resultado foi claro: o jornalista começou a perceber a assessoria de imprensa como uma alternativa de carreira. Começaram a pipocar muitos escritórios de assessorias de imprensa e surgiram as assessorias segmentadas. Estava consolidada a carreira para qual, há pouco tempo, boa parte da classe torcia o nariz. (Patricia Buarque)